domingo, 20 de fevereiro de 2011

Na dificuldade nascem pessoas fortes.

Sempre batalhei muito na vida,a começar pra nascer:Minha mãe com artrite reumatóide,tomando remédios fortíssimos e com uma gravidez fadada ao fracasso..Contrariando o que seria regra,"sobrevivi" e nasci(parecendo uma ratinha com 2.300kg mas nasci).Desde pequena aprendi a me virar sozinha,tinha a consciência de que poderia dar o mínimo de trabalho pra minha mãe e assim,tentar amenizar um pouco as dores constantes.
Com 7 anos tive que ficar longe dela uns 2 meses pra em Ribeirão fazer as cirurgias pra colocar próteses nos joelhos.Engraçado que sempre tivemos pessoas abençoadas por perto,o médico dela,Dr.Maurício Kfouri,um amor de pessoa que entendia o meu medo de perder a minha mãe,me acalmava e me mandava cartinhas dizendo que ia dar tudo certo.E deu,pronto..tinha minha mãe de volta pra perto de mim.
Professora de escola pública ela resolveu prestar o Concurso pra Diretor de Ensino e passou..mas aí entrava em mais um ponto difícil na nossa vida! Só tinha cargo na Grande São Paulo e mais precisamente em Diadema justo onde a violência assustava..Eis que então com 10 anos me vi morando só com o meu Vô e tendo que cozinhar nos fds que ela não ia pra Barretos,e estes demoraaavam a passar,virava dia e noite assistindo tv e chorando de saudades.Tinha acabado de entrar na 5 série,minhas notas despencaram,quando ela tava em casa não conseguia assistir aulas na segunda por conta de cólicas insuportáveis e de razões desconhecidas.
Depois de meio ano nesse sofrimento,surgiu uma substituição na Escola Antônio Olympio,que veio a calhar e muito..tinha a minha mãe perto de mim sempre! Após 2 anos de "Tonhão" 1 de Colina e 4 de Bebedouro..vida difícil a dela e consequentemente a minha que volto a repetir,aprendi a me virar sozinha.
Chegou a época que o meu Vô enfraqueceu,não reconhecia ninguém,não se movimentava e o pavor tomou conta,o medo de perder quem eu amo e a fé de que ele iria melhorar.E não é que a fé move montanhas mesmo? Pra quem não conseguia ficar sentado na cama sozinho ele voltou ao que era antes..
Aí então diria que entrei nas lições mais importante da minha vida,a de me colocar no lugar dos outros,de dar valor nas coisas pequenas da vida.Cuidar do meu Vô e da minha Mãe ao contrário do que muita gente pensa não é um fardo pra mim..ao contrário,é um prazer e satisfação poder ser bem mais que útil pras duas pessoas mais importantes da minha vida.Claro que ás vezes cansa,não poder sair no sábado ou domingo a tarde pra tomar sol com as amigas ou ir no shopping sem se preocupar em voltar pra casa num determinado horário pra dar banho no Vô mas são responsabilidades da vida..agradeço á Deus por ter me dado essa e pelas lições e aprendizados que venho tendo.
Agora tenho uma "equipe" me ajudando a concretizar meu sonho,a Cá que tem uns 13 anos de empregada em casa,o Paulo que é enfermeiro e dorme com meu Vô,a Cínthia nos fds e na folga do Paulo e a Marinete no horário da manhã enquanto a Cá não chega e a noite na espera do Paulo. Pessoas abençoadas é o que Deus mais tem colocado em minha vida,aqui em SP tenho meu pai e a Sô que são meu porto-seguro na cidade quase desconhecida.
A distância machuca ás vezes,dá vontade de sair correndo e voltar pra Barretos mas sou forte,vou aguentar a consequência do meu sonho e não decepcionarei aqueles que amo.


2 comentários:

  1. Gente, que história linda!
    Vc é muito iluminada :) Seu vô e sua mãe são pessoas abençoadas por ter você.
    Sério, acho muito linda sua atitude!

    Beijos
    Paty (da facul)

    ResponderExcluir
  2. Obrigada Paty..E a sua história não deixa a desejar em nada né?
    Maior exemplo de força de vontade que eu já vi..
    beijos

    ResponderExcluir